Como aliviar naturalmente uma crise de ansiedade?

Falta de ar, nó na garganta, batimento cardíaco acelerado, noites agitadas… mesmo sem um diagnóstico formal, muitas mulheres vivem com a ansiedade no dia a dia, sem sempre lhe darem um nome. Estas sensações podem surgir na véspera de um exame, após um choque emocional ou simplesmente sem motivo aparente. Dão então a sensação de estar a perder o controlo. No entanto, a ansiedade não é uma fatalidade: compreendê-la melhor já permite atenuá-la um pouco. Isso também ajuda a agir mais cedo, antes que se instale de forma duradoura.

Neste artigo fundamental, vamos primeiro definir o que é realmente a ansiedade. Distinguí-la-emos do «simples stress» e analisaremos os seus principais sintomas, tanto físicos como emocionais. Veremos, em seguida, como funciona a resposta de stress do organismo, através das três grandes fases classicamente descritas (alarme, resistência, esgotamento). Isto permite compreender melhor por que razão acabamos por nos sentir «no limite». Por fim, apresentaremos diferentes abordagens naturais para acalmar a ansiedade (respiração, estilo de vida, alimentação, suplementos, plantas em diversas formas, homeopatia, aromaterapia), com links para artigos dedicados, caso queira aprofundar cada abordagem.

O que é exatamente a ansiedade?

A ansiedade é um sentimento de insegurança face a um perigo muitas vezes futuro ou imaginário, diferente do medo, que responde a uma ameaça imediata. É considerada «normal» quando é pontual e proporcionada, mas torna-se um transtorno de ansiedade quando é duradoura, excessiva, difícil de controlar e perturba o sono, o trabalho, as saídas ou as relações. Manifesta-se também no corpo através de somatizações (garganta apertada, nó no estômago, palpitações, dores de cabeça…), que traduzem a ativação repetida dos sistemas de stress. Existem várias formas (ansiedade social, perturbação de pânico, fobias, perturbação de ansiedade generalizada), todas ligadas a uma resposta de alarme. Esta é desencadeada com demasiada frequência ou dura demasiado tempo, em vez de permitir que o organismo recupere o equilíbrio.

Como é que a ansiedade e o stress atuam no organismo?

Para compreender bem por que razão a ansiedade acaba por esgotar, é útil rever o funcionamento da resposta ao stress. Esta é classicamente descrita em três fases: alarme, resistência, esgotamento. Esta visão permanece esquemática, mas explica muito bem o que muitas pessoas ansiosas sentem ao longo do tempo.

Fase de alarme: quando a ansiedade desencadeia o alerta

O cérebro percebe um perigo, ativa o sistema nervoso simpático e desencadeia a fase de alarme com a libertação de adrenalina e noradrenalina, o que acelera o coração, aumenta a pressão arterial e coloca o corpo em estado de alerta. Repetida com demasiada frequência, esta reação protetora acaba por provocar tensão muscular, palpitações e distúrbios do sono ou digestivos.

Fase de resistência: o que acontece quando a ansiedade persiste?

Se o stress persistir, o organismo permanece em estado de alerta e produz mais cortisol. Esta ativação prolongada pode causar fadiga duradoura, irritabilidade, dificuldades de concentração e várias somatizações, como distúrbios digestivos, dores, enxaquecas ou manifestações cutâneas.

Se não forem implementadas estratégias de acalmia, esta fase de resistência pode prolongar-se por meses ou anos. O organismo recorre então às suas reservas até atingir a fase de esgotamento. Nesta fase, a ansiedade mistura-se frequentemente com uma fadiga profunda, ou mesmo com um episódio depressivo.

Quais são os principais transtornos de ansiedade?

Falar de ansiedade no singular abrange, na realidade, vários transtornos bem distintos. Têm em comum um medo excessivo, mas manifestam-se de forma diferente no dia a dia. Reconhecê-los permite compreender melhor o que está a viver e adaptar as soluções, sejam elas naturais ou médicas.

Transtorno de ansiedade Medo ou tema central Situações frequentemente temidas Sinais frequentes Possíveis consequências
Ansiedade social Medo do julgamento, do ridículo ou da humilhação Falar em público, participar numa reunião, conhecer novas pessoas, comer na presença de outras pessoas Rubor, tremores, voz trémula, falhas de memória, sensação de «perder a cabeça» Evitação, isolamento, grande constrangimento social
Transtorno de pânico Medo das próprias crises de angústia Metro, lojas, deslocações sozinho, locais onde parece difícil obter ajuda Crises repentinas e intensas, sensação de estar a morrer, de ter um ataque cardíaco, de enlouquecer ou de desmaiar Esgotamento após a crise, medo de ter outra, evitação de certas situações
Fobias específicas Medo muito específico de um objeto ou de uma situação Aranhas, cães, aviões, altura, sangue, exames médicos Ansiedade intensa, reação desproporcional, incapacidade de raciocinar no momento Estratégias de evitação por vezes muito limitantes
Transtorno de ansiedade generalizada Preocupações difusas e permanentes Saúde, trabalho, família, finanças, futuro Tensões musculares, distúrbios do sono, fadiga, irritabilidade, dificuldades de concentração Vigilância constante, fadiga mental, dificuldade em relativizar

Quais são os sintomas mais frequentes da ansiedade?

Os sintomas da ansiedade são simultaneamente físicos, emocionais e comportamentais. Variam de pessoa para pessoa, mas existem quadros típicos. Estes ajudam a compreender melhor o que sente e a não confundir sistematicamente a ansiedade com uma doença orgânica grave.

Que sintomas físicos podem revelar ansiedade?

A nível físico, a ansiedade manifesta-se frequentemente através de:

  • Uma sensação de opressão no peito, falta de ar, respiração bloqueada ou acelerada.
  • Palpitações, batimento cardíaco acelerado, por vezes acompanhados de suores frios ou tremores.
  • Distúrbios digestivos: nó no estômago, azia, náuseas, diarreia de ansiedade ou obstipação, inchaço, dores abdominais.
  • Tensões musculares (nuca, ombros, mandíbulas, costas), dores de cabeça, sensação de corpo «tenso».
  • Distúrbios do sono: dificuldade em adormecer, despertares noturnos, sono não reparador.
  • Por vezes, manifestações cutâneas (surtos de eczema, psoríase, acne inflamatória, crises de herpes) ou fadiga persistente apesar do descanso.

Estes sinais podem ser muito impressionantes e suscitar receios de uma patologia cardíaca, digestiva ou neurológica. Um exame médico é sempre importante para descartar um problema orgânico. Mas quando tudo está normal, considerar a ansiedade permite encontrar outras vias de tratamento.

Que sintomas psíquicos e comportamentais acompanham a ansiedade?

A nível emocional, a ansiedade manifesta-se por:

  • Preocupações constantes, difíceis de parar, por vezes sobre vários assuntos ao mesmo tempo.
  • Pensamentos catastróficos («e se…», «isto vai correr mal», «não vou conseguir»).
  • Hipervigilância, uma sensação de estar «em alerta», facilmente surpreendido ou irritado.
  • Irritabilidade, maior sensibilidade emocional, dificuldades em relativizar.
  • Dificuldades de concentração, lapsos de memória relacionados com a «saturação mental».

No plano comportamental, observa-se frequentemente:

  • Evitação (recusa de certas situações, isolamento social, procrastinação).
  • Comportamentos compensatórios (petiscar, consumo excessivo de café, tabaco, álcool, dependência de ecrãs).
  • Uma diminuição da autoestima, a sensação de já não estar à altura ou de «perder o equilíbrio».

Se se reconhece em vários destes sintomas, é provável que a ansiedade desempenhe um papel importante no seu dia-a-dia. As soluções naturais têm todo o seu lugar para o ajudar a recuperar um equilíbrio mais estável, tal como adaptar o seu estilo de vida. Mas também para apoiar o seu organismo através da nutrição terapêutica, das plantas medicinais, da gemoterapia, dos óleos essenciais ou da homeopatia, de acordo com o seu perfil e as suas preferências.

Podemos recorrer à homeopatia e às plantas para combater a ansiedade?

Muitas pessoas recorrem a abordagens naturais para lidar com a ansiedade, especialmente quando esta é ligeira a moderada. Estas soluções não substituem o parecer médico nem uma eventual psicoterapia. Mas podem constituir um apoio interessante se forem bem escolhidas e acompanhadas.

E a homeopatia na ansiedade?

Na homeopatia, a escolha do remédio depende sobretudo do perfil emocional: medo repentino, ansiedade antecipatória antes de um exame, hiperemotividade, ruminações, etc. Alguns remédios são mais adequados para crises de angústia ou nervosismo, outros para tendências ansiosas de fundo. Para sermos claros e práticos, detalhamos estes perfis, os remédios e as posologias num artigo específico da série dedicado à ansiedade e à homeopatia.

Que plantas ou óleos essenciais utilizar em caso de ansiedade?

No que diz respeito à fitoterapia, várias plantas (passiflora, valeriana, espinheiro-alvar, melissa, rodiola, etc.) são frequentemente utilizadas para acalmar a ansiedade e melhorar o sono. Os botões (como o de espinheiro-alvar ou de figueira) e certos óleos essenciais relaxantes (lavanda verdadeira, manjerona, etc.) completam o arsenal natural, devendo ser respeitadas as precauções de utilização.

Quando é que a ansiedade deve levar a consultar um médico?

Embora muitas abordagens naturais possam ajudar a lidar melhor com a ansiedade, continua a ser essencial saber reconhecer as situações em que o parecer médico se torna indispensável. É o caso quando a ansiedade é persistente (várias semanas ou meses) e muito intensa. Mas também quando tem um forte impacto na vida quotidiana: impossibilidade de trabalhar normalmente, de assumir a vida familiar, de ter uma vida social ou de sair sozinha.

É igualmente importante consultar rapidamente se a ansiedade for acompanhada de pensamentos negativos ou de uma profunda tristeza. Qualquer perda de interesse pelo que antes dava prazer, ou comportamentos de automedicação, são também indicadores. Da mesma forma, crises de angústia muito frequentes e sintomas físicos preocupantes justificam uma avaliação junto do médico de família, de um psiquiatra ou de um psicólogo.

O objetivo não é opor medicamentos, psicoterapia e tratamentos naturais, mas sim combiná-los de acordo com a gravidade dos distúrbios. O farmacêutico, o médico e, se necessário, o psicólogo ou o psiquiatra podem trabalhar em conjunto para construir um plano de tratamento global. As soluções naturais vêm então apoiar o organismo, respeitando sempre a segurança do paciente.

Perguntas frequentes sobre a ansiedade

A ansiedade é uma emoção «normal»?

Sim, a ansiedade é, na origem, uma reação normal do organismo face a um perigo ou a um desafio importante. Torna-se incómoda quando é demasiado frequente, demasiado intensa ou quando perturba de forma duradoura o sono, o trabalho, a vida social ou familiar. Neste caso, fala-se antes de um transtorno de ansiedade e é útil falar com um profissional de saúde.

Como saber se a minha ansiedade requer uma consulta médica?

Se a ansiedade se prolongar por várias semanas, se agravar, provocar crises regulares, impedindo uma vida normal com pensamentos negativos e grande tristeza, recomenda-se uma consulta médica. O médico poderá avaliar a situação, descartar uma causa física e propor um tratamento adequado, eventualmente em complemento a soluções naturais.

Quanto tempo pode durar uma crise de angústia relacionada com a ansiedade?

Uma crise de angústia é geralmente intensa, mas relativamente breve. A fase mais aguda dura frequentemente alguns minutos, mesmo que a sensação de mal-estar possa persistir por mais tempo. Respirações lentas, ancragem corporal, um ambiente calmo e o apoio de uma pessoa de confiança podem então ajudar a fazê-la passar mais rapidamente. Se as crises forem frequentes ou muito incómodas, é importante consultar um médico.

As abordagens naturais são sempre suficientes para tratar a ansiedade?

As soluções naturais podem ajudar muito nas formas leves a moderadas de ansiedade, especialmente quando implementadas precocemente e de forma regular. Por outro lado, em caso de ansiedade grave, de longa duração ou muito incómoda, podem ser utilizadas como complemento a um acompanhamento médico e, se necessário, psicoterapêutico.

Por onde começar se quiser tratar a minha ansiedade de forma natural?

O mais simples é começar pelo básico: melhorar o estilo de vida (sono, atividade física, respiração), rever a alimentação (menos estimulantes, mais alimentos «protetores»). Mas também adicionar, se necessário, um ou dois recursos naturais bem direcionados (por exemplo, magnésio ou uma planta calmante, seguindo o conselho do farmacêutico).

Deixe um comentário